O HORÓSCOPO DO 25 DE ABRIL

Por João Medeiros

A Revolução de 25 de Abril de 1974 marcou uma grande mudança política em Portugal, em direcção à liberdade de expressão, à democracia e ao fim da guerra colonial. Nesse momento, 2 ciclos muito importantes chegavam a fases críticas. O ciclo da guerra e depressão Saturno-Plutão alcançava a sua quadratura minguante, que corresponde à chegada a uma velhice, uma saturação crítica. Este ciclo foi iniciado em 1947 e está associado particularmente à auto-determinação dos povos, princípio que não foi aceite pelo governo do Estado Novo, gerando o conflito colonial. Por sua vez, o ciclo da esperança Júpiter-Neptuno chegava à quadratura crescente, uma fase de crise de puberdade, como a rebeldia da juventude. Este ciclo está associado a socialismos, messianismos e redenções e estava numa fase particularmente forte com Júpiter em Peixes e Neptuno em Sagitário. Foi como uma grande salvação.

Nesse dia em concreto, as dignidades planetárias em Peixes e Caranguejo, signos com forte ressonância em Portugal, espelhavam os acontecimentos: a exaltação da paz e da solidariedade, com Vénus heróica em Peixes; o reino da tolerância e do socialismo, com Júpiter domiciliado em Peixes; a queda das armas, com Marte em queda em Caranguejo; o exílio do conservadorismo e da repressão, com Saturno exilado em Caranguejo.

O exacto momento astrológico do nascimento da revolução corresponderá à passagem na rádio da canção Grândola Vila Morena que simbolizou colectivamente o início do acontecimento e a celebração do mesmo.

Esse mapa tem um Ascendente Sagitário, associado ao desenvolvimento livre e à expansão mais optimista e tolerante. Apresenta uma grande força da casa 3, a casa da comunicação, com Júpiter e Vénus em Peixes o que é sintomático da principal consequência imediata da revolução: poder falar e ter opiniões variadas. É a chamada pluralidade de expressão.
Outras notas importantes são, por exemplo: o Sol na casa 4, que está associado a governos com preocupações sociais; a Lua na 6 que representa o direito do povo ao trabalho; Urano na 10, que representa o altar da liberdade; Plutão na 9, transformação constitucional; Neptuno na 12, fraudes ocultas; Marte e Saturno na 7, constrangimentos de relações externas (a negociação para a descolonização foi embaraçosa e complicada).

Numa outra abordagem, esta carta indica que Portugal terá tendência a ficar 'refém' dos seus parceiros, a nível militar e económico (Saturno rege a 2, Marte rege a 11, nodo sul na 7) mas que deverá encontrar a sua própria identidade, comunicando a sua cultura plural e pacífica, expressando-se ao mundo (nodo norte em Sagitário na 1, Júpiter regente do Asc em Peixes na 3, Vénus regente da 10 e 5 na 3).

Em 2003-2004, a carta do 25 de Abril sofreu trânsitos particularmente importantes. Plutão em trânsito, representante de purgas e de lutas de poder, faz quadratura à Vénus, representante do bem-estar social, dos meios de comunicação e do poder político (está na 3, rege a 10 e 5). Este processo está relacionado com a onda de sucessivos escândalos que têm surgido, desde o caso Casa Pia da pedofilia, à pedofilia nos Açores, aos casos de corrupção nos mais altos cargos de magistratura e ao tráfico de influências no futebol.
Por outro lado, Saturno realizou o seu célebre 1º retorno. Este trânsito corresponde à chegada à maturidade da revolução do 25 de Abril e associa-se à profunda (e algo dolorosa) estruturação dos compromissos com os outros países, a nível financeiro e no plano da política externa (Saturno está na 7 e rege a 2). O aperto orçamental e a posição assumida por Portugal na guerra com o Iraque são as evidências deste trânsito, dificultado por se verificar em Caranguejo (exílio de Saturno).

Copyright © 2004 João Medeiros

João Medeiros

Nasceu em Agosto de 1975.

Licenciou-se em Economia pela Universidade Nova de Lisboa tendo-se especializado em Estatística Aplicada. Realizou ainda um ano de estudo como bolseiro Erasmus, na Suécia e em França.
Em 1998, paralelamente ao seu trabalho como investigador na área sócio-económica, começou a estudar Astrologia.
Concluiu o curso leccionado no Espaço Astrologia em 2002 e, desde então, tem desenvolvido prática regular de consultas astrológicas e trabalho de investigação em Astrologia Natal e Mundana.

Os seus estudos, que abrangem campos diversos como a Psicologia Astrológica e a Astrologia Horária, foram complementados com cursos de aconselhamento e de transformação pessoal.
Actualmente, investiga também a criação de metodologias adequadas à pesquisa astrológica.

Em 2004 publicou pela Pergaminho o livro Oceano Ascendente

Website: www.a-hora.blogspot.com

 


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